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Cerrado ganha Mosaico da Serra do Cipó


O Brasil ganhou, no último dia 13 de setembro, o reconhecimento do Mosaico de Unidades de Conservação da Serra do Cipó. São mais de 2,7 milhões hectares que interligam 18 unidades de conservação situadas na transição do bioma Cerrado para a Mata Atlântica. Além de contribuir para a conservação da rica biodiversidade de flora e fauna presente, a constituição de um Mosaico nessa região é fundamental para a proteção das Bacias do Rio São Francisco e do Rio Doce, responsáveis pelo abastecimento de água de uma porção do estado de Minas Gerais.
O Mosaico Serra do Cipó reconhece um conjunto de UCs federais, estaduais e municipais, todas no estado de Minas Gerais. A medida tem o objetivo de promover a gestão integrada nessas unidades, a otimização de recursos, a valorização do território, a criação de uma identidade e o fortalecimento das políticas de conservação da biodiversidade na região.

A conquista foi oficializada por meio da Portaria nº 368, do Ministério do Meio Ambiente, pouco mais de um mês após a Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (REMAP) protocolar uma moção com 155 adesões pela valorização dos mosaicos de áreas protegidas durante o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). A proposta apoiada pelo WWF-Brasil pedia agilidade no reconhecimento de mosaicos, entre eles, o Serra do Cipó, o Veadeiros-Paranã, o Calha Norte do Pará e Gurupi.

Segundo Kolbe Soares, analista de conservação do WWF-Brasil e membro da Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas (REMAP), o reconhecimento de novos Mosaicos no Cerrado é um importante passo para conter a degradação que assola a região há muitas décadas. “O Cerrado está no topo do ranking entre os biomas que mais tem perdido vegetação nativa para o desmatamento. E os Mosaicos são um instrumento eficaz na promoção da gestão territorial compartilhada com vistas ao desenvolvimento sustentável”, explica Kolbe Soares.

O instrumento foi validado em 2000, pela Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), como “um conjunto de UCs de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e que compartilham características naturais”, cuja gestão deve ser feita de maneira conjunta e integrada. A norma é considerada positiva porque os processos que geram e mantém a biodiversidade existem em dimensões que ultrapassam os limites das unidades, com isso parcelas maiores do território passam a possuir mais possibilidades de serem manejadas de forma a assegurar a sua integridade ambiental. Ao todo, o Brasil tem 16 mosaicos, sendo oito na Mata Atlântica, quatro no Cerrado, três na Amazônia e um na Caatinga.

Romina Belloni membro do Comitê de Criação do Mosaico, representando o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), comemora a criação do Mosaico da Serra do Cipó por acreditar que “o benefício não se limitará à conservação ambiental, mas também no que se refere ao fortalecimento de parcerias para uma atuação integrada e participativa, envolvendo os gestores das áreas protegidas tanto federal, como os de esferas estadual e municipal, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) e a população local, de forma a compatibilizar as atividades desenvolvidas”. Ela defende o potencial do Mosaico da Serra do Cipó para o incremento da atividade de ecoturismo, já bastante realizada e que tem gerado a sustentabilidade do território.

A aprovação do Mosaico nessa região é fruto também da articulação de vários atores, como o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, o Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio Cipó-Pedreira, o Parque Nacional da Serra do Cipó, a APA Morro da Pedreira, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais-Escritório Regional Alto Jequitinhonha, o Parque Estadual da Serra do Intendente, a Prefeitura Municipal de Conceição do Mato Dentro, a Prefeitura Municipal de Santana do Riacho, entre outros.

De acordo com João Paulo Sotero, Diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, “o reconhecimento contribui para a conservação da biodiversidade, uma vez que potencializa a gestão integrada dessas áreas protegidas. Esse reconhecimento de Mosaicos faz parte da estratégia do MMA para a implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e de promoção da conectividade de paisagens”, afirma.
 
Confira as unidades que formam o mosaico da Serra do Cipó:
- Parque Nacional da Serra do Cipó - Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira - Reserva Particular do Patrimônio Natural Aves Gerais - Parque Estadual da Serra do Intendente - Parque Estadual do Limoeiro - Reserva Particular do Patrimônio Natural Alto do Palácio - Reserva Particular do Patrimônio Natural Sítio dos Borges - Reserva Particular do Patrimônio Natural Vale do Parauninha - Monumento Natural Municipal da Serra da Ferrugem - Parque Natural Municipal do Tabuleiro - Parque Natural Municipal Salão de Pedras - Área de Proteção Ambiental Serra Talhada - Área de Proteção Ambiental do Rio Picão - Área de Proteção Ambiental Santo Antônio - Parque Natural Municipal Alto Rio Tanque - Área de Proteção Ambiental do Itacuru - Área de Proteção Ambiental Córrego da Mata - Parque Natural Municipal Mata da Tapera

Fonte: WWF Brasil

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